quinta-feira, 27 de agosto de 2015

Rolezinhos

Um novo fenômeno social que está tirando o sono das autoridades policiais vem sendo verificado desde o final do ano passado. Até mesmo a presidente já reservou uma data em sua agenda para discutir o assunto com empresários devido o prejuízo que estão sofrendo com o fechamentos de lojas em dias de grande movimento. São os chamados “rolezinhos” organizados pelos jovens de todas as idades através das redes sociais pelos shoppings do País. Novamente o caos social trazido com esses “rolezinhos” tem se estabelecido, gerando pânico e medo nos cidadãos que foram surpreendidos em shoppings. Os idealizadores e os que são a favor desses “rolezinhos” nem mesmo conseguem explicar a causa, a razão e o objetivo do movimento, muito menos qual a verdadeira reivindicação. Segundo alguns dos organizadores, “rolezinho” é uma convocação geral para um encontro amigável em shoppings para se divertir, paquerar, zoar e trocar alguns beijos e nada mais. Mas, para a policia, isso não passa de uma reunião para promover roubos e furtos assim como, tumultuar as grandes zonas de comércio.
A mídia tem mostrado, provavelmente mais para assustar e aumentar o alcance dos atos, do que o barulho, os saques e a balburdia decorrentes desses encontros. Têm se dado enorme dimensão aos rolês mais do que eles propriamente alcançam. Ninguém está proibido de entrar em shoppings sozinho, acompanhado ou em grupos, mas, não é nem um pouco conveniente se fazer arruaças, promover tumultos e causar tamanha desordem em lugares públicos, isso é fato. Em nome da liberdade de ir e vir tudo se torna lícito, porém, nem tudo convém. A liberdade de se expressar, de protestar pacificamente em favor dos direitos não isenta ninguém de assumir as consequências pelo vandalismo e prejuízo causado aos demais cidadãos caso isso aconteça. Agora cabe uma pergunta. O que dizer dos “rolezinhos” que estudantes universitários (black-blocs) fizeram, eram em menores ou maiores proporções em termos de vandalismo? Tiveram apoio ou foram repreendidos? É preciso ouvir o clamor das ruas, disseram dezenas de parlamentares.
O grito das ruas, o clamor do povo é por segurança, por justiça social, pelo fim da corrupção política e da impunidade, por menos impostos, melhor educação, lazer, cultura, saneamento básico, direito à saúde e não à doenças. É um grito por moradia, transporte, melhor qualidade de vida, tudo o que se promete a décadas através dos impostos recolhidos. Pouco do valor arrecadado com impostos são revertidos em benefícios do povo. Essa é a razão dos “rolês”, caros parlamentares. Se por um lado, os senhores, que afirmavam que era preciso ouvir o grito das ruas, hoje, parece que estão ficando surdos. Creio que esse movimento esteja surgindo em face da insatisfação social, principalmente nas periferias, onde o descaso com o povo é mais evidente. Inúmeras formas de “rolezinhos” ainda acontecerão. Aliás, há noticias de um novo “rolezinho” nas piscinas do CEU. Seria bom que esses homens dotados de autoridade constituída pelo povo, dessem um “rolezinho” pelos hospitais públicos para que seus olhos vejam a maneira como o cidadão é tratado. Que tal um “rolezinho” nas escolas da periferia de qualquer cidade ou capital do País, mas tudo isso, de transporte coletivo!

Por outro lado, está na hora do povo fazer um “rolezinho” pelas câmaras municipais, pelas assembleias legislativas, pela esplanada dos ministérios, pelo palácio da alvorada, pela câmara dos deputados, pelo senado, que sabe eles dariam condições e capacidade para o povo frequentar boas escolas com bom ensino, ser atendido em hospitais não sucateados, transporte coletivo de boa qualidade. Mas onde encontrar tudo isso? Só dando uns “rolezinhos” por ai, mas fora do País...

Somente para inglês ver

Desde que se soube, a seis ou sete anos atrás, que iria organizar a Copa do Mundo de Futebol, o governo brasileiro começou uma grande maquiagem na infraestrutura do País. Um apito deu inicio ao jogo de cartas marcadas desencadeando criticas e manifestações prós e contra o evento em terras tupiniquins. Não que o brasileiro não goste de futebol, pelo contrário, afinal, somos o Pais do futebol. Porém, conhecendo a classe política que assola a nação, abriu-se uma porta ainda maior à corrupção. É impossível organizar um evento de tamanha magnitude em um País onde a única coisa organizada é o crime. Mas há os otimistas, e entre eles eu me incluo, que acreditam que o Brasil é capaz, pois é maior do que seus políticos. As promessas começaram a surgir e investimentos bilionários seriam necessários. Estádios, aeroportos, hotéis, acessibilidade, tudo de acordo com o padrão exigido pela entidade. Sistema viário sem congestionamentos, infraestrutura adequada, transporte público digno, sistema de saúde perfeito, alta tecnologia nas transmissões, comunicação, internet e telefonia sem interrupções, falhas ou quedas de sinal.
Tudo isso para os brasileiros usarem como herança depois da grande festa. Essas foram algumas promessas para inglês ver. Como seria bom, ou melhor, excelente, se a velha política não pusesse as mãos sujas sobre essa bola, mas sei que o meu desejo é quase impossível! Venderam um País que não existe. Porém, os anos passaram e a realidade mostrou a incompetência administrativa, a corrupção política, a ganância empresarial e uma burocracia sem limites que quase levaram, para vergonha do povo brasileiro, um merecido ”chute no traseiro” da entidade. Mas, enfim, o circo já está armado, as arenas já mataram alguns gladiadores, pobres trabalhadores, antes mesmo da inauguração e em breve o espetáculo vai começar, apenas os palhaços não querem tomar seus lugares, não há como chegar. O transporte público continua péssimo e o “Zé Marmita” ainda viaja pendurado no trem desde a década de 50. A dança por uma cadeira nos coletivos lembra-nos as brincadeiras de crianças, sem contar que os preços das passagem estão exorbitantes.
A torcida sofre nos ônibus abarrotados e a insatisfação com esse serviço vem gerando nos últimos meses protestos violentos deixando o serviço ainda pior com, em média, dois ônibus incendiados somente na capital paulista por dia. Enquanto o dinheiro público é investido em estádios, em portos em Cuba, a educação, a saúde e outras necessidades, no nosso País são ignoradas pela classe política que esbanja o erário em viagens milionárias. A sujeira do País está sendo varrida para debaixo do carpete. Um rio de dinheiro público inundou os canteiros das obras, sem licitações, para que, as ave de rapina, os corsários terrestres, os alienígenas políticos, os lobos disfarçados de ovelhas, usurpem o que não lhes pertencem.
Outra questão é a tão prometida segurança, que não existe e nunca existiu, a ponto de uma delegação estrangeira, em recente visita ao País, precisou vir acompanhada de sua própria policia. Dá-nos a impressão de que quem governa esse País estão trancafiados em prisões, porque as ordens são respeitadas e obedecidas imediatamente. E que falar dos hospitais? A fila por um ingresso (senha) nos hospitais públicos está concorrida. É preciso chegar antes do galo cantar para se conseguir uma. Com isso, aumenta o número de lesionados e feridos no departamento médico. A saúde sempre foi chutada para escanteio. No País do futebol ela nunca entra em campo, é reserva de luxo e aqueles que podem pagar um plano de saúde são enganados pelas empresas na hora em que mais precisam. Ah, mas lembre-se, Copa não se faz com hospitais, e sim com estádios, fenomenal quem afirmou isso. Embora os estádios sejam bonitos, não passam de elefantes brancos sem utilidade posterior em algumas cidades. Com ou sem Copa, a saúde sempre deverá ser prioridade em qualquer governo.

Onde estão os aeroportos de primeiro mundo, a organização nos novos estádios que até água falta nos banheiros, alguns já vão precisar de reforma no gramado, os ingressos já foram clonados, onde está o padrão Fifa, a tecnologia e tudo o que foi prometido? O que está sendo feito, como se diz por aqui, é apenas para inglês ver.

A sombra de um bigode

Algumas semanas atrás, em uma visita oficial a Israel para a celebração dos 50 anos de restabelecimento das relações diplomáticas entre Alemanha e Israel, a primeira ministra alemã Angela Merkel, foi protagonista de uma cena inusitada que despertou a memória do mundo, fazendo-nos lembrar das barbáries da segunda guerra mundial. Enquanto apontava para algum lugar ao fundo, o primeiro ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, proporcionou aos fotógrafos um momento de riso, de êxtase e ao mesmo tempo de tristes recordações. Seu dedo indicador formou uma sombra sobre o rosto da primeira ministra alemã criando um “bigode” do tipo usado pelo algoz dos judeus na segunda guerra mundial, Adolf Hitler. Isso foi suficiente para relembrar os horrores enfrentados pelo povo judeu com a guerra. Por essa razão foi possível perceber que os fantasmas de uma guerra, facilmente podem ressuscitar o medo de quem passou por ela ou apenas soube pela história os seus horrores. Alemanha e Israel foram atores principais no cenário da segunda guerra mundial, e hoje, 60 anos depois, os dois países celebram relações diplomáticas cheios de cortesias e gentilezas como se, aparentemente, nunca tivessem enfrentando tamanha hostilidade entre eles.
Embora tanto tempo tenha passado, a pergunta ainda continua sem resposta, valeu a pena, tinha motivo suficiente para tantas atrocidades? Não existe nenhum motivo suficiente para se declarar uma guerra, mesmo após esgotado todos os recursos imaginários. A guerra mostra a força e o poder dos incapazes. O diálogo sempre foi e sempre será a arma mais eficaz contra qualquer provável inimigo. Matar ou morrer por ideologias vãs, por credos religiosos, étnicos ou culturais, faz dos seres humanos verdadeiras feras indomáveis que vociferam injúrias contra os semelhantes e pouco tempo depois do balanço de mortos e feridos, apaziguado os ânimos, trocam cortesias como se nada tivesse acontecido. Provando com isso que atitudes insanas de certos loucos, que em virtude da posição que ocupam no cenário mundial, tomam decisões absurdas e estarrecedoras em prol de uma ideologia, porém, em detrimento da humanidade e de suas próprias de nações, pode sim ser evitada pela tolerância, pelo diálogo e até mesmo por uma resposta branda que lhe aplaque o furor momentâneo. Alguns loucos continuam desafiando a inteligência humana com suas decisões.
Com certeza, muitas histórias, incontáveis dúvidas, lembranças horripilantes, medo, rancor, lágrimas que ainda não cessaram, almas amarguradas, corações acorrentados por um passado que teima em não querer passar e acima de tudo, o temor de passar por tudo isso novamente, poderia ser visto escondido a sombra daquele bigode formado sobre o rosto da primeira ministra alemã. Não gostaríamos que essa história se repetisse, porém, enquanto os homens não se entenderem e perceberem que são todos da mesma espécie, a humana, a sombra de um simples bigode pode gerar conflitos mundiais. Embora saibamos que uma guerra não começa da noite para o dia e nem sem motivos ou causas importantes para aqueles que a declaram, os governos totalitários causaram e ainda causam medo no resto do mundo. Estamos convivendo com a sombra de outro bigode na América do Sul que está deixando o mundo em alerta.

Nessa mesma semana, quando da visita da primeira ministra a Israel, também faleceu aos 110 anos a mais velha sobrevivente do holocausto. Alice Herz-Sommer, judia nascida em Praga na antiga Tchecoslováquia, passou dois terríveis anos presa em Terezin, campo de concentração, onde distraia os candidatos a câmara de gás tocando piano para eles. Uma mulher que mesmo vivendo diante da morte, proporcionava aos que caminhavam para ela, a oportunidade de um consolo, tentando, através da música, aliviar o pavor dos seus semelhantes. Buscava amenizar o medo no coração dos judeus entregues à morte. Nem tudo está perdido. Embora haja guerras e rumores de guerras, a alegria e a paz também podem ser irradiadas através de um simples bigode, basta como nos recordamos deles, como o do Adolf Hitler ou do Charles Chaplin!

A Copa das Copas

Foi assim, com a benção de Deus, que se ouviu de um povo heroico, o brado retumbante, que ecoou de Itaquera às mais distantes ilhas do planeta Terra. De um lugar outrora remoto, ignorado, podemos até dizer desprezível, zona leste da capital do Estado de São Paulo, um bairro dormitório conhecido como Itaquera, pedra que dorme em Tupi-guarani, que o País gigante pela própria natureza, conseguiu, com o braço forte, abrir as cortinas da história, para escrever nos anais futebolísticos a Copa das Copas. Foi assim que a nossa presidente, desrespeitosamente ultrajada, denominou o evento como a Copa das Copas. O sol da liberdade, em raios fúlgidos de uma democracia inescrupulosa, sem limites de educação e moral, que alguns (minoria) fazem uso para expressarem total falta de caráter, embora partisse dos chamados “Vip's” brilhou no céu da Pátria nesse instante. Iluminados, milhões de corações simples, refletia um sorriso nos rostos das pessoas que estendiam as mãos amigas sem distinção de cor, raça ou qualquer tipo de discriminação, exceto, embora influenciados pelos “Vip's” insultassem, com desonra uma mulher, a nossa presidente.
Porém, a solidariedade estava nos braços que se abraçavam e nas vozes que entoavam o hino da vitória. Muito embora, a ansiedade, cautela e precaução fossem necessário, para que não despertasse um sentimento de medo, causado por boatos infundados, sobre ataques e atentados, tendo como autoria militantes ligados a uma facção criminosa, e excetuando o descontentamento de alguns com os gastos do evento, que extenuaram, em atitudes agressivas pelas ruas de algumas cidades suas indiferenças, tudo ocorreu em harmonia e em paz. O sonho intenso se tornou realidade. O mundo se confinou dentro de um estádio que nos encheu de honra e de orgulho em ser cidadão brasileiro. Diante dos olhos de dezenas de autoridades, políticos de todas as esferas governamentais, artistas mundialmente famosos, líderes mundiais, personalidades ilustres, puderam ver que nossa terra é muito mais garrida, que nossos lindos campos têm mais flores e nossos bosques mais amores.
Uma multidão de pessoas conhecidas, desconhecidas, estrangeiros dos mais longínquos lugares, brancos, negros, amarelos, doutos e indoutos, ricos e pobres, reis, súditos, príncipes e plebeus, de todas as línguas, povos, tribos e nações, se juntaram em uníssono a mais de 200 milhões de brasileiros em torno do maior espetáculo da terra. Unidos emanaram os mais belos, importantes e vitais sentimentos que deveriam acompanhar a humanidade em todas as circunstâncias: a fraternidade, a solidariedade e a irmandade. Somos um só. Esse é o slogan da Copa das Copas. E assim deveríamos ser, com ou sem Copa, pois, somos todos da mesma espécie, a humana. E foi assim, sob um formoso céu risonho e límpido que a imagem do Brasil resplandeceu, emergiu. Foi possível mostrar um País que não estava simplesmente deitado em berço esplendido, acomodado, mas, era gigante pela própria natureza, com um povo forte, impávido, colosso, cujo presente, já espelha sua grandeza do futuro.
Entre mil coisas, o País do futebol se preparou, como pode, para mostrar o dom supremo da força dos brasileiros, que não fogem à luta, garra, fibra e entusiasmo para conquistar a tão cobiçada Taça do Mundo de Futebol. Mostrou também que seus filhos vão conseguir com o braço forte, ostentar esse lábaro, para no final, colocar mais uma estrela que se não for a do hexa, seja a do amor eterno, da esperança e da paz, que nessa terra desce. Que a bola possa rolar suave e tranquila pelos estádios, que as torcidas se inflamem, mas, de alegria e de felicidade, que a violência leve cartão vermelho e seja expulsa antes mesmo de entrar em campo. Assim como o racismo e o preconceito que não estejam nas arquibancadas, não entrem nos gramados, não façam parte das equipes e que o País do futebol seja conhecido também como o País da cordialidade.

Embora o melhor chute da abertura fosse aquele que as lentes da Fifa quase não mostraram, mesmo assim, foi um golaço de placa, marcado por um cientista brasileiro para o futuro da medicina. Que o mundo possa ver que o solo dessa Pátria mãe é gentil, uma terra adorada, uma Pátria amada chamada Brasil. Agora vamos lá, para mais uma derrota, dos nossos adversários, é claro.

Brincadeira de criança

Não podemos mensurar o quanto a tecnologia moderna está sendo benéfica ao ser humano, principalmente na medicina e em suas ramificações. Hoje é possível usufruir da mais alta tecnologia em todos os setores da sociedade e tudo sempre visando o bem estar da humanidade e um futuro com bem menos esforço e maior comodidade. Fico impressionado quando olho para trás, uma ou duas décadas apenas, e parece que já passaram muito mais do que isso. O avanço é tão rápido que o tempo cada vez passa mais depressa. No mundo moderno, onde impera a lei do menor esforço, e que tudo o que foi criado visa oferecer melhor qualidade humana, percebe-se, que o homem, cada vez mais, anseia e busca por uma melhor qualidade de vida. Tudo foi idealizado para se ganhar um pouco mais de tempo e o que menos temos é tempo. Não há tempo para nada. Fomos engolidos pela velocidade do mundo que quando sobra um tempinho, logo o deixamos passar com coisas fúteis, sem sentido. Passamos rapidamente para a era da informática, do just in time, do on line, do WhatsApp, estamos na era global.
Se antes éramos os atores principais na sociedade, hoje, somos meros coadjuvantes. É a lógica da realidade atual, onde recebemos a tecnologia e a informática de braços abertos, mas, os fechamos para as coisas simples da vida. Se outrora não havia academias de ginásticas com seus sofisticados aparelhos, atualmente há uma em cada esquina e o homem está andando cada dia mais estressado, irritado, explosivo, exercitando o corpo mas atrofiando a mente. Nos abrimos para o mundo diante da tela de um computador tendo o planeta em nossos dedos, porém, nos fechamos em nosso mundo, indecifrável e incompreensível através das nossas atitudes. Estamos nos tornando à imagem e a semelhança dos computadores, cujos, são lógicos, programáveis, não pensam, não criam, não sonham. Hoje tudo é virtual mas não sei se é o ideal.
Em uma simples conversa entre amigos, todos na mesma faixa etária, com algumas décadas de experiências, onde relembramos a infância com suas brincadeiras, percebemos que tínhamos essa qualidade de vida tão desejada atualmente. Todas as atividades das crianças eram em movimento. Não havia nenhuma brincadeira ou brinquedo, a maioria produzido pelas próprias crianças, que não estimulasse o corpo a se movimentar. O pensamento era estimulado e a arte de criar de cada um podia se ver nos mais variados tipos de brinquedos que eram feitos. As crianças brincava nas ruas, na chuva, no barro, andavam descalças, jogavam bola nos quintais, nos campinhos, corriam e pulavam com alegria, almoçavam fora de horário sem as mães se preocuparem com os tipos de vitaminas que cada alimento produzia, o que importava, era comer. O resultado de tudo isso era a saúde que a criançada esbanjava. Hoje o mundo está mais moderno, dizem.
A tecnologia chegou para encurtar distâncias, trazer rapidez de informações, não podemos negar, é um privilégio navegar na internet. Porém, enquanto encurtamos distâncias, nos afastamos das pessoas. Falamos muito e nos entendemos pouco. Trocamos as conversas face a face pelo Facebook. Não consultamos mais a sabedoria dos mais velhos e sim, o Google. Estamos plugados no mundo, mas alheio à vida. Percorremos galáxias buscando entender os caminhos do universo através de um “click” porém, não sabemos quem somos e continuamos solitários no meio da multidão perdida. Hoje as máquinas parecem ter sentimentos, falam, fazem, indicam, substituem o ser humano. Estamos virando máquinas e máquinas virando gente. Mesmo diante de toda essa tecnologia, o ser humano continua sendo a máquina mais perfeita que existe na face da terra. Uma máquina que pensa, sente, se emociona e é feliz.

Esse computador não é lógico. Ele chora, sorri e se entristece. É programado para ter sentimentos, sonhar, ter amigos, amores, conversar, não pela internet. Não vamos deletar tudo isso e jogar fora a poesia da vida, as flores da primavera, as estrelas de uma noite de luar, porque ainda vale a pena ser humano, poder tocar, sentir, pensar, viver...que o virtual nunca ultrapasse o real, nem mesmo nas brincadeiras de crianças.

Guerra dos sexos

Na semana passada uma pesquisa deixou muita gente perplexa ao revelar o que passa pela cabeça dos brasileiros. O resultado surpreendente apresentado mostrava que 65% dos entrevistados (público masculino) afirmaram que mulheres que usam roupas curtas, são merecedoras do assédio masculino. Se para um bom entendedor meia palavra basta, pode-se concluir que essa esmagadora maioria culpa as mulheres pelos assédios, estupros e violência sexual que sofrem. Não sei se foi mencionado o grau de cultura que os entrevistados apresentavam, mas, não posso aceitar que essa pesquisa demonstre o verdadeiro pensamento de homens adultos, pais de família, que tenham esposas, filhas ou irmãs que possam um dia enfrentar situações desse tipo, causada por homens que pensam dessa maneira como os entrevistados. Provavelmente seja o pensamento de jovens com os hormônios a flor da pele, descomprometidos com a sociedade em que vivem.
Não sei, mas é assim mesmo a natureza masculina, que para justificar suas ações, transfere a causa e o efeito, a consequência e a culpa de seus atos para terceiros, e na maioria das vezes, para as mulheres. Foi assim desde o jardim do Éden, que segundo consta nos relatos bíblicos, ao ser por Deus questionado sobre o que havia acontecido, o homem, claro, imediatamente se isentou de sua responsabilidade, jogando a culpa em sua auxiliadora e no próprio Deus alegando que: foi a mulher que me destes – disse ele. Não posso me permitir ser incluído nesses 65% nem mesmo concordar que roupa curta feminina seja motivo para assédios mais afoitos da parte masculina. Em alguns países ultraconservadores, onde as mulheres vivem cobertas dos pés à cabeça, os índices de estupros também crescem ano a ano, e olha que em alguns deles, a pena capital é permitida.
A maneira de se vestir feminina, se desprovida de modéstia ou do bom senso, jamais pode ser motivo e causa da insanidade praticada por atos bestiais masculinos. Por essa razão, algumas mulheres descontentes com o resultado das pesquisas, resolveram protestar tirando a roupa. Com placas, cartazes e com dizeres pintados nos corpos, expressavam que não mereciam ser estupradas. Na verdade, ninguém merece. Com pouca ou muita roupa, é crime tal atitude, estupro ou relação sexual sem o consentimento da mulher e efetuado com o uso da força, por constrangimento ou por intimidação, é atentado ao pudor, portanto, é crime. Até mesmo a nossa presidenta (como ela gosta de ser chamada) repudiou o resultado da pesquisa e foi solidária com as manifestantes.
A onda de ataques às mulheres tem alcançado índices alarmantes. Nessa mesma semana, uma rádio de grande alcance em audiência, veiculou em sua programação, uma frase em que o apresentador dizia que no Metrô lotado era um bom lugar para o xaveco. Com essa divulgação, tanto homens como mulheres, que não se encaixam nesses moldes de promiscuidade, protestaram também. Elas dizendo que com isso, o assédio que já possui um alto índice nos trens lotados, ficará pior por parte de homens que pensam como os da pesquisa. E eles alegam que dessa maneira, todos agora passam a ser suspeitos ao se aproximar de uma mulher, o que é impossível nos trens lotados, mesmo sendo de opinião totalmente contrária as dos entrevistados. Enquanto nas redes sociais os homens promovem e até mesmo filmam tais atitudes, as mulheres se defendem como podem.

O estupro, o assédio, a violência e abuso sexual em suas mais variadas formas contra as mulheres, antes de mais nada, e longe de ser instinto masculino, é um desrespeito, que pode gerar traumas irreparáveis. A guerra entre os sexos foi declarada. Por toda parte milhares de mulheres tem postado nas redes sociais testemunhos de agressões embora muito bem vestidas. A situação cria debates e polêmicas prós e contra. Por enquanto, não há vencidos nem vencedores, mas pode haver respeito, educação, caráter e muito bom senso nessa eterna guerra dos sexos.

Amor, um caminho sobremodo excelente

Pouco tempo atrás, enquanto as manifestações populares efervesciam pelo País afora, uma frase pichada entre tantas numa parede me saltou aos olhos. Era o clamor e a suplica desesperada de alguém que refletia não somente o seu desejo, mas da maior parte da sociedade: mais amor, por favor era a frase em questão. Durante vários dias refleti, senti e vi a carência e a necessidade de amor em nossas ações. Foi possível observar nas entrelinhas, além daquelas letras, a profundidade e o desespero do seu criador. Embora fosse apenas uma frase, era possível ver a sua realidade nas pequenas e grandes atitudes humanas. Faltava amor, sobrava violência. A falta de amor no cotidiano e a multiplicação das injustiças, faz com que o amor se esfrie de quase todos. Atualmente, dizer à uma pessoa verdadeiramente que a ama, tem sido, para muitos, um grande desafio, uma barreira quase que intransponível. Talvez a razão seja porque não estamos mais acostumados nem a ouvir e muito menos a declarar o nosso sentimento aos semelhantes.
Por causa de uma mente ocupada e sobrecarregada com tantas coisas do viver diário, exceto de amor, estranhamos quando alguém nos faz tal declaração. Se declararmos nosso amor por uma pessoa do sexo oposto, logo surge um pensamento de desconfiança por parte de quem ouve, que tal afirmação pode ter algum interesse por trás, e geralmente, o sexual. E se o fizermos por uma pessoa do mesmo sexo, amigo, por exemplo, o sentimento preconceituoso também surge, e talvez seja maior ainda. Amor e sexo estão andando de mãos dadas. Não que devamos separá-los, mas o objetivo do amor não pode ser apenas sexo. Confundimos esse sentimento com desejos e atrações físicas. O amor está saindo de moda e já parece algo ultrapassado. Se eu não tiver esse sentimento expresso do meu interior, minhas palavras serão como um sino que soa, tudo será vão, palavras ocas levadas ao vento. O amor não pode ser algo descartável, sem valor, obsoleto e ultrapassado e em muitos casos, impuro e cheio de segundas intenções.
Não podemos fazer de um sentimento tão nobre e essencial, algo banal e sem importância. Amar é tão bom. Não afirmo isso no sentindo de estar apaixonado por uma pessoa, não. O amor puro e verdadeiro não é egoísta e sim altruísta, precisa alcançar o próximo de maneira intensa. Os valores estão se invertendo. Amamos mais as coisas e objetos do que as pessoas. É um sentimento que se não for expressado torna a nossa vida sem sabor, sem sentido, sem prazer e acima de tudo, nos deixa incompletos. Parece que estamos nos adaptando a insensibilidade das máquinas que não têm sentimentos, pois, são lógicas e nos afastando da fonte do amor, Deus. Desviamos o foco do nosso amor, que deveria estar voltado às pessoas e o colocamos em coisas inanimadas e em valores desconexos ao viver humano. Usamos a mesma palavra para dizer que amamos um belo por do sol, carros, motos, objetos, profissão, animais e pessoas como se fossem a mesma coisa. A palavra pode ser a mesma, porém, o sentimento deve ser diferente. O amor às pessoas provém do nosso coração, convertidos em gestos como solidariedade, respeito, gratidão, educação, gentileza, paciência etc...
O amor precisa deixar de ser um substantivo abstrato, vago, imaginário, porém, concreto, real e expressado através de atitudes como acima mencionadas. Amar os pais, os filhos, os irmãos, os amigos, os semelhantes é querer bem, é respeitar, tratar sem arrogância, sem interesses, com humildade e justiça. A falta de amor gera ódio, violência, discórdias, e todos os tipos de males e intolerâncias culminando com a morte onde um simples pisão no pé pode desencadear uma guerra. Como diz o poeta cantor em sua melodia: é preciso amar as pessoas como se não houvesse amanhã...É impossível falarmos e viver esse amor sem nos aproximar da origem dele. Deus é amor. Claro que Seu amor é único, mas, no entanto, Ele nos recomenda amar uns aos outros assim como Ele nos amou, nisso, o Seu amor em nós será aperfeiçoado. O principio e a base do nosso viver deve ser o amor sem fingimento, fruto de corações puros e sinceros. A maior necessidade humana é o amor. Embora sejamos constituídos por fé, esperança e amor, a maior virtude humana sempre será o amor. Ele procede de Deus e é eterno.

Portanto, mais amor, por favor, porque o caminho do amor é sobremodo excelente.