sexta-feira, 14 de agosto de 2015

O celular

Já são mais de 250 milhões em todo o país, é mais do que a população. Fomos invadidos sem perceber por um pequeno aparelho que mudou a nossa vida. Hoje ele nos acompanha em todos os lugares, até mesmo no banheiro. Impossível para milhões de pessoas caminhar sem ele. Ele veio para ficar e já determina a nossa maneira de viver. Existem pessoas que possuem dois, três ou mais e quando não estão com ele conectado aos ouvidos parece que falta alguma coisa. Foi assim que me senti quando sai de casa e esqueci o meu. Somente nesse momento percebi o quanto ele é importante para mim ou eu é que era dependente dele, não sei definir. O fato é que ele me acorda pela manhã dizendo-me que está na hora de trabalhar. É o meu despertador, meu relógio, meu mensageiro e o que me avisa dos compromissos agendados. E isso porque ainda faço pouco uso dele. Talvez eu seja uma exceção, porque a grande maioria dos que se utilizam de seus serviços, lhe usurpam de todas as maneiras. Ele é o aparelho de som, a filmadora, a máquina fotográfica, a televisão, a internet e até paga as contas se for preciso.
O Brasil se rendeu a seus ouvidos. Nos negócios, ele está presente, talvez seja a parte principal, pois sem ele, algumas transações comerciais não seriam realizadas. Foi o presente mais esperado do Natal. Muitos o trocaram por outro melhor, mas ninguém quer ficar sem o seu. Toda a população do país, dos governantes aos mais simples cidadãos, todos se utilizam dele ao máximo. É possivel se comunicar através dele em lugares jamais imaginados, como na selva amazônica, por exemplo, e em outros ainda mais longiquos. Já salvou pessoas de sequestros, já orientou policiais e bombeiros em buscas e salvamentos de pessoas perdidas. Ele é popular, mas também pertence a elite, não faz distinção de pessoas, ele fala e ouve a todos com a mesma naturalidade.
As crianças na mais tenra idade já possuem o seu, os adolescentes e jovens de igual maneira, e talvez seja nessa classe que ele é mais utilizado, não o largam um minuto sequer. Nas calçadas, nos shoppings, nos restaurantes, nas escolas, em casa, em todos os lugares é comum ver jovens e adultos com ele ao pé do ouvido. Hoje parece ser impossível viver sem a presença dele. Independentemente do sexo, todos se curvaram a ele. Os idosos, impressionante, adaptaram-se rapidamente às suas facilidades e como gostam de falar com ele, acham assunto que não acaba mais. Em todas as profissões ele está presente. Os garis, os cobradores de ônibus, os borracheiros, as empregadas domésticas, os executivos, são linhas que se cruzam encurtando distâncias e matando saudades, não há fronteiras quando se tem um, diz uma propaganda, acredito que até na lua já deve ser possível falar com ele.

Até mesmo enquanto dirigem, os motoristas estão falando com ele, assim também já é demais. Ele virou objeto dos sonhos e desejos de milhões de pessoas. Não há mais limites, o mundo ficou pequeno depois da invenção do celular. Não sei se é um mal necessário ou um bem importante. 

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